domingo, 5 de fevereiro de 2012

traga sua alma amanhã,
quando você vier buscar aquele livro,
e não se esqueça de esmerilhá-la
porque o mercado é exigente.

sugaram a minha toda ontem
enquanto eu, distraído,
dava de comer aos meus olhos cansados.

vamos vender também o que nos resta de ossos,
sobretudo a espinha dorsal,
um amigo meu os vendeu ontem.
até que ele se vira se arrastando por aí,
só com pele e carne,
espetáculo meio triste,
mas o ruim mesmo são as formigas,
e os cães que mijam em qualquer lugar.

e essa inteligência que você tem no bolso?
cuidado, a essa hora na rua...está fazendo volume.
deixe-a aqui em casa
que eu estou precisando mesmo
de um peso de papel.

boa noite.
durma bem.

sonhos?!

não os tenho mais,
vendi a um poderoso mercador,
os dele estavam minguados,
aguados.
os meus queimavam, aguardente,

meus dentes?

não. preciso deles.
às vezes não entendo direito a novela,
e preciso mastigar por horas a fio
antes de dormir.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O ùltimo Cigarro

Neste pátio de convento
que não é meu, e hoje é faculdade,
fumo, só, o último cigarro da carteira,
e considero mais uma vez ser ele o último
da minha vida.

Mas a vida range, porta velha,
e eu sempre volto ao cigarro.

Lá fora um mar de corpos
cresce, numa cheia ininterrupta,
recebendo rios que desaguam
de ruas adjacentes.

Quando vaza, só os seres abissais,
luminescentes.

Seria muito rock'n'roll
se estourasse uma revolta
nesse mar, que é tão monótono,
e o dia naufragasse trôpego
em suas agendas,
e de todos os compromissos
só nos restasse o de vivermos melhor.

Os modernos shoguns em pânico!

É esse eol no cimento que me alucina,
não estoura nada.
Lá fora, só o marasmo e a rotina
da divisão social do trabalho
(e da arrecadação privada dos frutos).

E vai se acabando o meu último cigarro,
o meu mais santo remédio contra a náusea.

Micro-manifesto da minha pseudo-poética

Eu não faço poesia,
eu amolo pedras.

Eu não faço poesia,
eu bulo em serpentes
cobertas de feridas.

Eu não faço poesia,
não tenho tempo para pesar
ponderar e burilar
como fazem os verdadeiros poetas.

Eu não faço poesia,
eu me insurjo contra a brutalização.

Espelhos Tortos

Espelhos tortos

Do seu carro japonês,
o homem olha para o ônibus
ao lado.
... O trânsito está paralisado,
e o ônibus, abarrotado.

Para onde vai essa gente?
De que buraco sai esse povo?
Onde eles passam a noite?

"Não sei,
só sei que Iraildes
chega lá em casa às sete.
Gosto de pontualidade,
aprendi na Suiça."

Aflito, o homem do carro japonês
olha o seu relógio de ouro.
No ônibus ao lado,
Iraildes nem percebe o carro japonês
do seu patrão.

Já deveria estar em casa, dormindo,
seu Clóvis cobrava pontualidade.
Mas fazer o que?

Ela não tinha carro japonês,
e a cidade não tinha trens suiços.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Manutenção da Ferida

na estria dos dias
o astro pendido do betume
do espaço.

selvagem,
soturno,
veste de mendigo,
sol de boate à meia-noite.

e sempre a mesma ladainha vertigens e luzes místicas ou saudades da origem perdida e a buscaeabuscaeabuscaeabusca...

nesta manhã, em que há tanto a fazer,
o poema insurge-se fênix,
babando letras ácidas,

maantendo aberto o corte
(anti-célula)
para que o sangue escorra livre,

para que a carne não vire
fóssil.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Rock & Metal Lyrics: Running Wild. Fight The Oppression



Lute Contra A Opressão

Ogivas atômicas, armas de todos os tipos
Inventadas para destruir
Para encontrar suas vítimas, para aniquilá-las
Falsos governantes, ministros da defesaT
e levando à guerra
Você não vê onde tudo isso termina?

Destruição total, a morte do adversário
Contaminação, epidemias e medo
Derramamento de sangue continuará até o último suspiro
Sem solução se o sangue alimenta o mecanismo
Lute contra a opressão, (agora!)
Lute contra a opressão, (abaixo!)

Megalomania, a doença dos governantes
Decepção e traição
Sua vida é o que eles se apoderam
Toda a liberdade está morrendo, reinar é a lógica
Te levando à guerra
Você não vê onde tudo isso termina?

Destruição total, a morte do adversário
Contaminação, epidemias e medo
Derramamento de sangue continuará até o último suspiro
Sem solução se o sangue alimenta o mecanismoLute contra a opressão, agora
Lute contra a opressão, (abaixo!)