quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Espelhos Tortos

Espelhos tortos

Do seu carro japonês,
o homem olha para o ônibus
ao lado.
... O trânsito está paralisado,
e o ônibus, abarrotado.

Para onde vai essa gente?
De que buraco sai esse povo?
Onde eles passam a noite?

"Não sei,
só sei que Iraildes
chega lá em casa às sete.
Gosto de pontualidade,
aprendi na Suiça."

Aflito, o homem do carro japonês
olha o seu relógio de ouro.
No ônibus ao lado,
Iraildes nem percebe o carro japonês
do seu patrão.

Já deveria estar em casa, dormindo,
seu Clóvis cobrava pontualidade.
Mas fazer o que?

Ela não tinha carro japonês,
e a cidade não tinha trens suiços.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Manutenção da Ferida

na estria dos dias
o astro pendido do betume
do espaço.

selvagem,
soturno,
veste de mendigo,
sol de boate à meia-noite.

e sempre a mesma ladainha vertigens e luzes místicas ou saudades da origem perdida e a buscaeabuscaeabuscaeabusca...

nesta manhã, em que há tanto a fazer,
o poema insurge-se fênix,
babando letras ácidas,

maantendo aberto o corte
(anti-célula)
para que o sangue escorra livre,

para que a carne não vire
fóssil.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Rock & Metal Lyrics: Running Wild. Fight The Oppression



Lute Contra A Opressão

Ogivas atômicas, armas de todos os tipos
Inventadas para destruir
Para encontrar suas vítimas, para aniquilá-las
Falsos governantes, ministros da defesaT
e levando à guerra
Você não vê onde tudo isso termina?

Destruição total, a morte do adversário
Contaminação, epidemias e medo
Derramamento de sangue continuará até o último suspiro
Sem solução se o sangue alimenta o mecanismo
Lute contra a opressão, (agora!)
Lute contra a opressão, (abaixo!)

Megalomania, a doença dos governantes
Decepção e traição
Sua vida é o que eles se apoderam
Toda a liberdade está morrendo, reinar é a lógica
Te levando à guerra
Você não vê onde tudo isso termina?

Destruição total, a morte do adversário
Contaminação, epidemias e medo
Derramamento de sangue continuará até o último suspiro
Sem solução se o sangue alimenta o mecanismoLute contra a opressão, agora
Lute contra a opressão, (abaixo!)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Poemas de livros hipotéticos: Sonho

Seduzo a besta,
e acaricio-a suavemente com dedos de aço.
Nunca quis abrir aquela porta,
embora ela brilhasse e meus olhos doessem,
e os olhos vermelhos brilhando ao fundo
sempre me seduzissem antes de dormir.

Entro na porta,
subo as escadas,
meu coração espera, batendo,
num altar de escamas verdes.

Grito,
ao descobrir que nada bate ali,
e que sempre vivi a orla exterior
da minha galáxia-vida.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Poemas de Livros Hipotéticos: Hecatônquiros. Poema 1.

poema é punheta, punhal,
pílula do dia presente,
pústula purulenta,
putrefação infestada de vermes em festa
(letras).

poema é pó, pergunte e ele te responderá,
diluído em suco gástrico,
semente nerudiana ardendo em sulcos na página.

(pélvis só, gotejando sumo, triste pau mole, sumô solitário).

poema é postulado de loucos sem apriorismos,
post-script, post-mortem do poeta,
pilar de ossos na montanha negra
em meio à treva devastada.

(cuspe de morfético. morfina de efeito inverso, jogo de espelhos que se erram).

alvo escuro crivado de incertezas,
o poema é sempre um eco
emergindo do oco.

os melhores poemas
são secos como socos.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Poemas de Livros Hipotéticos: Hecatônquiros. Poema 2

2.
Pela fresta da página,,
pelos pêlos da epiderme
(branco-osso, linhas azuladas,
ventos gélidos surfando a face).

Memória, criação, reciclagem de palavras,
latidos de cães lactentes,
e um pulsar agonizante,
trasladando um pulsar suspenso em nebulosa.

[Tessitura, partitura, rompimento com o sorumbático emocional absoluto]

Tomo o pulso do poema,
e ainda há vida nele,
e se há nele, há em mim.

Latrina de todas as fezes,
Mãe-mor de todas as fossas fétidas,
concubina de Satanás num harém do inferno,

há um deslimite mas o jorro embora impetuoso sempre encontrará paredes e canais
por mais largos que esses sejam
(a língua, sintaxe, ser minimamente compreendido).

Entre solipsismo e comunicabilidade,
uma árvore cresce, com raízes espraiadas,
mil braços de Avalokiteshvara,
e em cada mão, um objeto,

um lutador cercado
cuja concentração da atenção
significa morte.